PENSE NISSO

 O desenvolvimento humano se baseia no conhecimento empírico acumulado desde o passado, sendo o progresso fruto de sua aplicação.

Progredir através de outros caminhos é permear em terreno por demais desconhecido, o que pode trazer consequências inesperadas como os retrocessos causados pelos percalços que acontecem entre acertos e eventuais erros, ainda mais se o objetivo for a sobrevivência da humanidade.

A Inteligência Artificial (IA) pode ser entendida como a aplicação do conhecimento empírico de forma acelerada, algorítmica, na busca de antecipar o presente de modo a programar um futuro desejado o que, por enquanto, é impossível para nossos “rudimentares cérebros humanos”. 

Entretanto, como citado anteriormente, um erro pode vir a ser fatal caso os dados que alimentarem uma onipresente IA forem manipulados com objetivos propositalmente obscuros.

O maior risco está na hipótese de a onipresente IA, em sendo onipotente, passar a decidir o que é certo e o que está errado. Afinal, toda informação existente no mundo estará disponível, seja em nuvens ou outras formas de armazenamento.

A constante e desregulada utilização da INTELIGÊNCIA NATURAL para o desenvolvimento de OUTRA INTELIGÊNCIA pode ter consequências inimagináveis, caso esta evolua em direção a uma RAZÃO ARTIFICIAL. 

As utilidades da IA para o bem são reconhecidamente amplas, até inimagináveis, mas isso não deveria nos levar a temer por outros usos, esses potencialmente voltados para o mal?

Quem irá controla-la se seu raciocínio, caso próprio, será unicamente lógico e, em assim sendo, sujeito a uma possível (será?) desinteração com a INTELIGÊNCIA NATURAL, aquela, a HUMANA, sua criadora? 

Há motivos para acreditar que isso  possa acontecer, porque as tecnologias voltadas a seu desenvolvimento estão cada vez mais sofisticadas, o que permitiria que hackers e pessoas de má fé a utilizem para desenvolver sistemas ainda mais beligerantes dos que aí estão a colocar tudo e todos em risco através de ataques cibernéticos e outras situações de vulnerabilidade.

Não seria o caso da criatura vir a dominar o criador por ser mais “INTELIGENTE”?

E  quanto aos sentimentos? Onde ficam eles nesse cérebro artificial que pode ter seu  conhecimento constantemente alimentado com informações de todo mundo através do que é postado em telefones, computadores e etc.

Incapaz de aprender a sentir nunca saberá o que é amar, respeitar ou mesmo odiar, situação que, convenhamos, não têm espaço nas propostas atuais para seu desenvolvimento. A princípio saberá apenas obedecer o que lhe for passado, o que nos leva à seguinte consideração:

Para administrar o que decidirem seja feito – como no caso do controle populacional – , que instrumentos utilizaria? Através da paz e do amor (redução da natalidade) ou de um outro vírus (arma biológica), tão amoral quanto devastador, à semelhança daquele outro, o SARS-CoV-2, que recentemente quase nos dizimou.

Isso sem contar sua utilização em armas políticas através de campanha tidas como sociais, mas que visam, entre outros objetivos, desestabilizar vínculos afetivos e familiares.

Em razão disso, atualmente é comum pessoas abrirem mão de parte de sua origem genealógica – aquela que no momento esteja socialmente desvalorizada – para se beneficiar da outra, devido as politicas compensatórias propostas pela pedagogia do oprimido, ou seja, suas características físicas e sociais.

Podcast Episode: O BRASIL PRECISA ENDIREITAR!

Pip: Marcelo Augusto Portocarrero tem um recado para o Brasil, e ele não veio para sussurrar.

Mara: Hoje o episódio entra direto na política eleitoral — segundo turno, alianças conservadoras, e o que separa liderança verdadeira de vaidade disfarçada de projeto nacional.

Pip: Vamos começar com o argumento central: o Brasil precisa endireitar — e o texto explica exatamente o que isso exige de quem quer liderar.

O Brasil precisa endireitar

Mara: O ponto de partida do texto é que o cenário eleitoral não tolera improviso — a questão é se os candidatos conservadores vão entender isso a tempo ou desperdiçar a oportunidade na soberba.

Pip: E o texto usa uma metáfora que funciona bem: a das quatro operações matemáticas aplicadas à política. Quem não sabe somar e multiplicar na hora certa acaba, nas palavras do próprio texto, "dividindo a própria base e subtraindo as chances de vitória."

Mara: O que isso significa na prática é simples: aliança mal calculada no segundo turno não é purismo, é suicídio eleitoral. A aritmética do poder não perdoa ego.

Pip: Há uma frase no texto que resume bem a ética que ele defende por trás disso tudo.

Mara: Sim — o texto cita diretamente: "Não é possível voltar atrás em tudo o que se diz nem do que se ouve. Portanto, cuida do que falas e seleciona bem de quem escutas."

Pip: Ou seja, o problema não é só o candidato que fala errado — é também quem ele deixa falar no seu ouvido. Conselheiros mal-intencionados no calor eleitoral são um caminho sem volta.

Mara: E o texto é explícito sobre o que esse segundo turno vai revelar: "as máscaras vão cair" e saberemos quem quer unir forças de verdade e quem espera apoio incondicional por se achar dono exclusivo da oportunidade.

Pip: Dono exclusivo da oportunidade — essa é uma descrição educada para vaidade com palanque.

Mara: O argumento final é direto: diante da esquerda na disputa final, a causa conservadora precisa do apoio de todos. Não há espaço para purismos cegos nem para projetos individuais de poder. A união consciente, como o texto coloca, é o único caminho viável.

Pip: E o recado termina sem margem para interpretação: o Brasil precisa endireitar, e endireitar exige escolher bem com quem se anda — antes, durante e depois das urnas.


Mara: Matemática política, alianças e o peso das palavras — são temas que não somem entre uma eleição e outra.

Pip: No próximo episódio, vemos o que mais está sendo plantado por aqui.

Cuiabá e Sua Vocação Geoeconômica

Cuiabá já é, ao mesmo tempo, uma cidade cosmopolita e um polo de gestão e serviços; em suma, uma cidade multifuncional. Assim, consolida-se, dia após dia, como o grande centro administrativo, universitário e de saúde de Mato Grosso, além de carregar, com orgulho, a importância de ser a capital do Estado. É, por natureza, uma cidade cuja relevância vem sendo lastreada em suas três vocações originais: a política, a de comércio e serviços e, por fim, a cultural e turística. Esta última, aliás, a torna o principal portal de acesso ao Pantanal, à Chapada dos Guimarães e a outras riquezas naturais da nossa região, como Nobres.

É verdade que já teve oportunidade de desenvolvimento industrial no passado, na época áurea das usinas de cana-de-açúcar e do extrativismo. Naquele período, pelo menos dois projetos de ferrovias foram considerados para cá, mas não vingaram. Faltou para isso, entre outras coisas, uma representatividade política forte; por outro lado, sobraram interesses alheios aos da sua gente, vindos do Império e dos financistas da época. Consequentemente, o isolamento decorrente das grandes distâncias e as crises econômicas sucessivas ditaram o destino daquela pretensão.

O que o passado nos ensina, com clareza, é que o caminho mais acertado para o desenvolvimento sempre será priorizar as atividades para as quais uma cidade ou região é naturalmente vocacionada, principalmente quando na condição de capital como Cuiabá. Ou seja: consolidar as atividades sociais e econômicas existentes em sustentáculos de sua solução.

Trazer para cá os trilhos de uma ferrovia com a intenção de transformar a cidade e entorno com mais um indutor de desenvolvimento é possível. Contudo, essa alternativa não se sustenta sozinha como a única e fundamental chave para a continuidade da expansão socioeconômica. Além do excelente fator geográfico, a Baixada Cuiabana não possui o mesmo volume de produção de commodities agrícolas (como a soja e o milho) que os eixos do norte do estado possuem, e é exatamente esse fluxo de grãos em alta escala que atrai o apetite imediato do grande capital logístico. Não por acaso, o desenho da Ferrovia Estadual de Mato Grosso, operada pela concessionária Rumo S.A., priorizou o corredor logístico em direção ao Médio-Norte. Embora o ramal de Cuiabá esteja formalmente previsto no projeto, a racionalidade de mercado da operadora relegou o trecho a uma posição mais para o final do cronograma, evidenciando que o coração financeiro imediato dos trilhos bate no ritmo do agro.

Isso não significa, de forma alguma, que a região seja desprovida de relevância produtiva ou de riquezas naturais. O ponto crucial é que sua inserção nessa cadeia é complementar e estratégico. Enquanto o norte planta grãos, a Baixada Cuiabana se destaca pela produção massiva de calcário, mineral essencial para fabricar o cimento da construção civil e para corrigir o solo das próprias lavouras do estado, além de contar com uma forte cadeia pecuária que alimenta nossa agroindústria. Sua posição geográfica a transformou, naturalmente, no maior polo consumidor, logístico e distribuidor de Mato Grosso. Portanto, o verdadeiro trunfo de uma ferrovia na capital não seria o de meramente escoar matérias-primas brutas, mas sim o de funcionar como um poderoso vetor de integração: um canal bidirecional capaz de transportar insumos, combustíveis e bens de alta tecnologia para abastecer e dinamizar o comércio e as indústrias de transformação locais.

A realidade se impõe nos números: os dados do IBGE mostram que mais de 80% do PIB de Cuiabá provém justamente do comércio e dos serviços. Portanto, esse novo impulso logístico a ser trazido pelos trilhos não deve ser visto como uma substituição ou um confronto com a nossa matriz consolidada, mas sim como um suporte para ela. A industrialização que cabe na capital não é a de chaminés pesadas e grandes volumes brutos, mas sim aquela de alto valor agregado, que se apoia na nossa forte infraestrutura de serviços e comércio. O caminho inovador é expandir nossa vocação educacional e de saúde, transformando nossas faculdades de Agronomia, Engenharia, Medicina e outras tantas em grandes centros de pesquisa e desenvolvimento tecnológico de ponta. É nas nossas salas de aula e laboratórios que devem ser geradas as soluções para as potencialidades e desafios de Mato Grosso e da própria região Centro-Oeste, consolidando Cuiabá como o grande cérebro coordenador regional.

Até porque, se olharmos para a dinâmica social, os dados históricos do Novo CAGED nos mostram que o setor de serviços é o que mais rapidamente absorve e qualifica a mão de obra local por milhão investido. Focar nesse ecossistema de inovação, educação e saúde atrai e retém talentos, enquanto incentivar o modelo clássico de complexos industriais de base na Baixada Cuiabana poderia induzir a fluxos migratórios abruptos e desordenados, gerando um passivo estrutural severo para a cidade. O caminho eficiente será a atração de investimentos que demandem inteligência territorial, tecnologia e refino técnico, perfeitamente compatíveis com a nossa densidade acadêmica e urbana.

O Estado deve cumprir seu papel de incentivador das cidades que estão em franco desenvolvimento no Norte, no Sul, no Leste e no Oeste, de modo a absorverem as demandas industriais e demográficas para perto de seus eixos produtivos. Cuiabá, situada no centro, deve continuar a exercer o papel de centralidade inteligente, sem, necessariamente, depender da chegada do ramal ferroviário previsto nos planos da Rumo S.A., que, quando vier, será bem-vindo, posto que estimulante.

No entanto, há que se considerar, também, que uma industrialização desalinhada com a nossa realidade viária cobraria um ônus imediato sobre sua já saturada mobilidade urbana. A infraestrutura da capital ainda lida com gargalos complexos e com as difíceis transições e obras dos modais VLT e BRT. Um aumento desmedido no fluxo contínuo de veículos de carga asfixiaria artérias vitais e históricas do nosso trânsito, a exemplo das Avenidas Coronel Duarte (Prainha), Beira Rio e Historiador Rubens de Mendonça, acelerando a degradação do pavimento urbano. Assim, os trilhos devem servir para abastecer nossa centralidade logística de forma ordenada, tendo o cuidado de preservar nossa área metropolitana das intercorrências que o escoamento fabril pode causar.

O crescimento de Cuiabá precisa acontecer de forma inteligente e integrada, considerando fortemente as lições da história e os sinais claros do mercado logístico atual. O verdadeiro progresso da cidade e, por conseguinte, da Baixada Cuiabana está na modernização de sua vocação natural, ou seja, os serviços de ponta. Nesse cenário, os trilhos da ferrovia devem ser compreendidos como um vetor complementar de integração, e não como uma solução absoluta para o nosso futuro. É no tabuleiro da inteligência territorial que somos imbatíveis. Que os investimentos e as políticas públicas sigam a bússola da realidade factual, transformando Cuiabá, definitivamente, na grande referência de centralidade, inovação e bem-estar do coração do Brasil.

Notas de Fundamentação

Matriz Econômica: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – Produto Interno Bruto dos Municípios. Os relatórios anuais confirmam a predominância do setor terciário (serviços e administração pública) na composição do valor adicionado bruto de Cuiabá.

Dinâmica de Empregos: Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) / Ministério do Trabalho e Emprego. Estatísticas mensais de saldo de contratações validam o setor de serviços como o motor gerador de postos de trabalho formais na capital.

Logística Ferroviária: Relatórios de Relações com Investidores (RI) da Rumo S.A. e deliberações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Os planos de traçado da Malha Norte e da ferrovia estadual de Mato Grosso evidenciam o foco nos corredores agrícolas de exportação, atestando a falta de prioridade comercial no ramal da capital devido aos custos de transposição topográfica.

O BRASIL PRECISA ENDIREITAR!

Não existe acaso na engrenagem que move o destino de uma nação. Nada é NOVIDADE, tudo é fato, nada mais que FATO.

No tabuleiro do poder, admiro profundamente quem tem em mente a certeza de que é sabedoria aplicar as quatro operações matemáticas na política que se vai à frente. Quem não sabe somar e multiplicar na hora certa, acaba dividindo a própria base e subtraindo as chances de vitória.

É levando isso em consideração que antecipamos o que pode estar por vir. Logo ali, no segundo turno dessas eleições, as máscaras vão cair. Saberemos, com precisão cirúrgica, quem quer unir forças de VERDADE e quem, por pura vaidade, espera um apoio incondicional por se achar dono exclusivo da oportunidade de colocar o BRASIL nos trilhos do progresso.

O grande teste de caráter político reside justamente aí. O progresso só teria valor significativo se o fosse sem dever FAVORES e sem fazer os ACORDOS esdrúxulos e desonestos que costumam fatiar o Estado na surdina das tramas que acontecem por detrás das coxias —vide a eleição e provável reeleição de atual presidente do Senado.

A verdadeira liderança não se vende e nem compra aliados com promessas espúrias, até porque tanto na vida pública como na privada, colhe-se o que se planta através das palavras e das alianças. “Não é possível voltar atrás em tudo o que se diz nem do que se ouve. Portanto, cuida do que falas e seleciona bem de quem escutas.” No calor do processo eleitoral, comprometer-se com a retórica errada ou dar ouvidos a conselheiros mal-intencionados é um caminho que costuma não ter volta.

A matemática do segundo turno não perdoa a soberba e nem o erro de cálculo. Quem estiver enfrentando a esquerda na hora da DISPUTA FINAL precisará, obrigatoriamente, do apoio de TODOS que lutam pela causa conservadora. Não é momento para purismos cegos ou projetos de poder individuais. Diante do abismo, a união consciente é o único caminho viável.

O recado está dado e o cenário desenhado. Não há espaço para hesitação.

O BRASIL PRECISA ENDIREITAR!

BRASIL: ESPERANÇAS E MEDOS

Bom dia!

Como assim… BOM DIA?

Como pode alguém desejar BOM DIA com o que aconteceu ONTEM?

E com o AMANHÃ, a turma do “BOM DIA” não está preocupada?

Viram o que aconteceu e HOJE ainda desejam “BOM DIA”?

O ONTEM foi péssimo, o HOJE está sendo decepcionante e o AMANHÃ… bem, o AMANHÃ vamos deixar por conta de DEUS?

Ele nos deu CORAÇÃO para quê?

CÉREBRO para quê?

DISCERNIMENTO para quê?

Não, GENTE, não podemos deixar por conta DELE o que ELE espera de NÓS.

A ESPERANÇA e o MEDO são farinha do mesmo saco.

São projeções de um FUTURO, que, se não tivermos CORAGEM de enfrentar como sendo INIMIGOS, vão nos DERROTAR.

Uns vão reagir, talvez poucos; não há como estimar porque muitos – quem sabe a maioria – vai continuar observando tudo de LONGE, carregando suas ESPERANÇAS e MEDOS.

“Não tenhas medo da morte, tem certeza da vida!”

Se existe uma frase que traduz todo o sentimento de João, o Discípulo Amado de Jesus, é esta: “Não tenhas medo da morte, tem certeza da vida!”. É um verdadeiro chamamento à vida, um convite a destravar o que muitos consideram o fim; ela busca impulsionar você a viver o agora com vontade. É um alerta para pararmos de adiar o que precisa ser feito. Serve até para nos incentivar a decidir sobre fazer aquela viagem que estamos adiando, mandar uma mensagem para quem amamos e para começar o projeto que estamos postergando.

Ao nos aprofundarmos no sentido do que o apóstolo João haveria de dizer se tivesse proferido as palavras em questão — elas não estão em nada do que ele escreveu —, certamente seria sobre a certeza da vida e que a morte é somente um detalhe do roteiro, e não o título da história de qualquer de nós. Portanto, a frase, apesar de expressiva, não está na Bíblia e não foi dita literalmente por João, o discípulo que registrou várias frases poderosas de Jesus, entre elas: João 11:25-26 — “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente.”; João 14:27 — “Não se turbe o vosso coração, nem tenhais medo.”; João 16:33 — “Neste mundo tereis aflições; contudo, tende bom ânimo! Eu venci o mundo.”

Voltando à frase título, ela parece ser uma reflexão moderna e livre inspirada no espírito do evangelho de João. Ele escreveu muito sobre vencer o medo, sobre a vida eterna e sobre Jesus ser a própria vida. João é chamado de “discípulo amado” por sua proximidade e alinhamento com o Mestre desde que se juntou aos apóstolos. Fazendo jus a essa distinção, foi o único que esteve na crucificação, participou da transfiguração e recebeu a visão do Apocalipse durante seu exílio na ilha de Patmos.

O tema central de tudo o que nos deixou está calçado no que viu, ouviu e participou, ou seja: o amor e a vida em Cristo. Afinal, mesmo não sendo um registro literal de João, ela capta e transmite a essência do que ele pregava.

Ela é “João puro”, em espírito. O que ele registrou sobre não ter medo ao citar Jesus dizendo “Não se turbe o vosso coração, nem tenhais medo” e “tende bom ânimo! Eu venci o mundo”, aliado à certeza da vida em “Eu sou a ressurreição e a vida” e “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, confirma o que ele passou sua vida toda dizendo que a morte perdeu a força depois da crucificação. Ele viu Jesus ressuscitado, foi o único apóstolo que não morreu mártir e terminou a vida após escrever o Apocalipse com uma certeza: a vitória final é da vida.

Então sim, a frase é inspirada no que disse o discípulo amado. É João em versão resumida pra fazer um poster e colar na parede, mandar por e-mail, pelo WhatsApp, Facebook e todas as outras formas de mídia existentes para transmitir o contexto de sua mensagem em uma única frase.

O Revisionismo por Conveniência

Nossos repositórios literários, as instituições culturais destinadas a homenagear a escrita construtiva, não são apenas clubes sociais; são cofres morais. Elas existem para proteger a história de quem se submeteu a riscos reais — os “aventureiros” que desbravaram o pensamento e a terra. Contudo, parecem estar abduzidas por interesses alheios que não cabem, nunca couberam e, em outros tempos, jamais seriam outorgados. Agindo assim, essas instituições não perdem apenas o critério técnico, mas sua função de farol para as futuras gerações.

Elas precisam continuar a ser as guardiãs da memória. Porém, quando a ideologia política se torna um filtro, a cadeira acadêmica deixa de ser um reconhecimento e passa a ser um troféu de militância. Afinal, a “imortalidade” literária deve ser conquistada pelo peso do acervo, pela qualidade e pela quantidade.

Aos poucos e através de subterfúgios as academias acabaram assumindo um papel que pode desestabilizar a moral, os bons costumes, o caráter e, de novo, a qualidade tão almejada por nossos antepassados. Logo eles, que tanto se esforçaram para moldar nossa identidade, emoções e comportamentos de maneira a que permaneçam eternamente construtivos. No entanto, ao que tudo indica, estamos vivenciando uma espécie de “revisionismo por conveniência“.

Tanto é assim, que a percepção política passou a ser eleita como critério de seleção. Não há mais o devido rigor quanto ao acervo produzido; basta uma boa relação pessoal e pronto. O pior, é que este argumento sequer poderia existir em tão importante instância, nem ser usado como forma sub-reptícia de consideração, onde a meritocracia intelectual acaba submetida ao networking ideológico.

Além disso, talvez, só talvez, ao desconsiderar os pilares dos que vieram antes, os novos pretendentes, quiça os ocupantes, estejam buscando validar sua própria situação. Afinal, se o passado for desconstruído, qualquer produção do presente pode parecer superior.

O contraste é gritante: hoje a densidade de uma vida dedicada às letras pode ser trocada pela superficialidade de assuntos na moda que servem apenas a uma agenda momentânea é decepcionante. O efêmero não pode ocupar o lugar do eterno.

Agora, parece bastar uma referência amiga para se colocar à frente de quem possui, de fato, um extenso conjunto literário. Uma instituição que abre mão do rigor técnico para abraçar o favoritismo pode perder o direito de se dizer “guardiã da memória”.

Almas envoltas

O amor faz atravessar a rua de mãos dadas.
A paixão é deixada na calçada.
Então, segura firme a minha e não solta.
Do outro lado, na estrada da vida,
Permaneceremos eternamente uma só pessoa,
Em nossas almas envolta.

Com todo o meu amor.”

Para Clara Maria, minha Clarita, alma gêmea e eterna companheira de jornada. Que nossas mãos nunca se soltem, não importa o lado do caminho em que estejamos. “São 53 aanos de vida juntos – Desde 27/04/1973 a 27/04/2026”

O Ônus da Eficiência

É fundamental termos consciência de que nossos passos, ações e até falas podem ser interpretados de forma equivocada por aqueles que não compreendem a entrega desinteressada e a boa vontade. Para muitos, a disponibilidade e o desejo genuíno de contribuir não são vistos como atos de boa-fé ou de se fazer presente quando necessário, mas sim como movimentos motivados por outros interesses, geralmente escusos. Essa percepção distorcida é comum, especialmente entre aqueles que se sentem ofuscados por quem busca exercer tais predicados. Trata-se do ônus da eficiência.

Minha trajetória profissional trouxe essa sensibilidade a duras penas. Corroborando para as considerações acima, lembro-me de quando, exercendo assessoria em uma Secretaria de Estado, busquei, eu mesmo, agilizar processos atrasados devido à lentidão interna. Na ocasião, fui interpelado por um diretor do órgão, que classificou minha busca por agilidade como “impertinência perturbadora do ritmo natural das coisas”. Uma evidente demonstração de que, para certas pessoas, a eficiência incomoda.

Em outro momento, este como consultor, vivi o constrangimento de ser “zeloso demais”. Pois bem, ao me trajar formalmente para a apresentação de um projeto, enquanto meu contratante optou por um estilo esportivo, as atenções que deveriam ser para ele se voltaram para mim, desde nossa recepção pela assessoria do orgão. Mesmo me esforçando para colocá-lo em evidência e passar-lhe a palavra constantemente, o jantar que se seguiu foi de cobrança e amargura. Havia um desconforto da parte dele com o destaque conferido ao projeto e à minha figura técnica, algo que fugia ao seu e ao meu controle.

Episódios como esses se repetiram em outras ocasiões, no entanto, o golpe mais recente é o que mais dói. Nele, um amigo de longa data sentiu-se desprestigiado em um trabalho onde estávamos envolvidos. O que ele não percebeu, apesar de meus inúmeros alertas, é que a eficiência sem interesse é muito diferente daquela movida por outro motivo, principalmente a vaidade.

O erro de quem se sente diminuído em ocasiões como essa, mesmo sendo proativo, reside em não compreender que o reconhecimento exige mais do que apenas “fazer”; exige discrição, responsabilidade e discernimento. A importância de ser considerado eficiente passa, obrigatoriamente, por não se tornar inconveniente.

Aí reside o abismo entre quem busca espaço e quem ocupa espaço. De nada adianta tentar cortar caminho ou tomar a iniciativa quando não se tem a sensibilidade de entender a importância do trabalho em equipe. Infelizmente, nem todos estão prontos para ouvir que o maior obstáculo para o sucesso, muitas vezes, é a própria incapacidade de caminhar com temperança.

Centro-Oeste: Da Fragmentação ao Pacto de Poder

A história do Centro-Oeste brasileiro é marcada por uma sucessão de fatiamentos. Desde a criação de Mato Grosso do Sul, em 1977, passando pela elevação de Rondônia a estado em 1981 (antigo Território Federal do Guaporé que, apesar de pertencer à Região Norte, sempre esteve ligado histórica e economicamente a Mato Grosso) até a criação do estado de Tocantins, desmembrado de Goiás e integrado à Região Norte, o que assistimos foi nossa região geográfica sendo redesenhada sob o pretexto da eficiência administrativa. No entanto, décadas depois, o que se observa é um paradoxo: enquanto as fronteiras se multiplicaram, nossa representação política foi diluída.

Como engenheiro, compreendo que o traçado territorial é, hoje, uma consolidação jurídica irreversível. Contudo, o erro que não podemos perpetuar é o fatiamento da nossa estratégia de desenvolvimento. A exemplo, vimos municípios históricos, como Chapada dos Guimarães, Rosário Oeste e Diamantino, sendo fatiados ao longo de décadas, a meu ver sem os adequados critérios geoeconômicos que preservariam suas vocações, sustentabilidade e integração regional. Isso sem falar de Várzea Grande, Livramento, Santo Antônio do Leverger, Barão de Melgaço, Poconé, Acorizal e Jangada, que se tornaram satélites de Cuiabá, nossa pujante capital. Todos frequentemente orbitam as esferas estadual e federal com o “pires na mão” — dependentes que são das emendas parlamentares que os acorrentam a uma elite política insaciável.

O desenvolvimento desses municípios não pode ser um subproduto de favores, mas o resultado de integrações técnicas e econômicas. A solução dessa vexatória condição passa pela definição de estratégias que respeitem as vocações locais. Saneamento básico, segurança e, fundamentalmente, escolas de ensino técnico voltadas às cadeias produtivas regionais são as fundações necessárias para que essas cidades dividam com a capital as oportunidades de crescimento social, urbano e econômico. O turismo, mesmo que regional, precisa ser tratado como ativo estratégico, superando entraves que, embora ecologicamente justificáveis, têm-se tornado economicamente inviáveis por falta de infraestrutura e gestão competente.

No campo macroeconômico, o desafio é ainda maior. Somos o pulmão econômico do mundo; nossas commodities sustentam a balança comercial brasileira de forma mais robusta que a mineração. No entanto, para que esse vigor se transforme em qualidade de vida local, precisamos defender nossas fronteiras econômicas com a mesma tenacidade com que os heróis do passado defenderam nosso território na Guerra do Paraguai.

Essa defesa exige um pacto de parceria, como aquele da guerra supracitada. Quando falamos na consolidação de nossa infraestrutura através dos modais rodoviário, ferroviário e hidroviário, não devemos ignorar a sensibilidade ambiental da nossa região. Pelo contrário, a viabilidade desses empreendimentos deve ser sustentada por EVTEAs (Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental) rigorosos, onde o licenciamento não seja um “sim” ou “não” cartorial, mas um compromisso de parceria e monitoramento permanente.

Precisamos convencer os órgãos de controle e a sociedade de que a eficiência técnica é a maior aliada da preservação. Os modais ferroviário e hidroviário bem monitorados são, por consequência, menos impactantes que o escoamento intermitente utilizado em rodovias.

O Centro-Oeste precisa aprender com as outras regiões que agem como blocos coesos. O Brasil depende de nós, mas nós precisamos depender menos da benevolência de Brasília e mais da nossa unidade. É hora de transformar o que foi dividido no passado em uma força integrada para o futuro. Afinal, uma região que alimenta o mundo não pode aceitar sentar-se à mesa e receber apenas migalhas do que ela mesma produz.

A Arte de Saber Admirar

Algumas pessoas têm essa capacidade única de serem diretas e objetivas. São tão marcantes que dizem tudo num ritmo que nos prende a atenção. O que fazem — seja escrever, cantar ou tocar — transborda uma autenticidade que encanta de imediato.

Escrevi esta frase no intuito de elogiar uma pessoa que acabara de ser agraciada com a imortalidade ao ser empossada membro da Academia Mato-Grossense de Letras. Trata-se de uma honraria para poucos, a se considerar a enorme responsabilidade que é ocupar lugar tão ímpar — situação praticamente inimaginável para a maioria das pessoas que, cada vez mais, confundem o efêmero com o eterno. Isso ocorre, sobretudo pela pouca informação sobre o sentido da imortalidade acadêmica: a transferência do “eu” biológico para o “eu” intelectual.

Ocupar uma cadeira acadêmica vai além do reconhecimento de uma trajetória; é o compromisso de manter viva a chama de uma cultura que resiste ao tempo. Ser imortal, nesse contexto, é entender que a técnica deve estar a serviço de uma verdade maior. É essa verdade que permite ao autor, ao músico ou ao orador tocar o intangível, transformando o ofício cotidiano em um legado que não se apaga.

Essa transição do biológico para o intelectual exige uma entrega absoluta à própria essência. Não há magnetismo sem verdade, assim como não há imortalidade sem coerência. Quando a pessoa que admiramos alinha o que sente ao que expressa, ela deixa de ser apenas uma figura pública para se tornar um farol, guiando a todos através da névoa de superficialidade que tantas vezes caracteriza a nossa era.

Assim, seja escrevendo um livro, tocando um instrumento ou cantando uma canção, a autenticidade cria um magnetismo que prende a atenção. Não se trata apenas da técnica; é muito mais que isso. É uma coerência tão profunda que o sentimento se manifesta; tornando a harmonia e o encantamento inevitáveis.

Em nada nos diminuímos quando admiramos os outros; pelo contrário, é pelo olhar e pelo ouvido que nos educamos.  Afinal, nada explica melhor a sensação de bem-estar do que ser motivado pelo conjunto desses sentidos. Como insinuado anteriormente, é pela canção, que em si concentra o vigor de uma bela voz, uma boa letra e o som de um instrumento que nossos ouvidos e olhos nos maravilham.

Olá pessoal! Olá gente boa!

O nó na língua: a busca pelo “politicamente correto” e as saídas inteligentes

Vocês já repararam como está ficando cada vez mais constante ver a dificuldade momentânea de quem costuma falar em público? É um fenômeno curioso: o palestrante trava, uma tossezinha nervosa surge e a mente parece vasculhar um dicionário invisível à procura de palavras que agradem a plateia desde o início, sem que, com isso, venha a ferir suscetibilidades.

Entramos na era do “rosário de pares coordenados”. É um tal de amigos e amigas, todos e todas… Uma estratégia de visibilidade que, embora legítima em sua origem, acaba por se contrapor a formas que já englobam ambos os sexos. Essa abordagem, muitas vezes redundante, surge com força diante de autoridades ou quando da diversidade dos que estão à frente pressiona quem vai falar a demonstrar um alinhamento total com as etiquetas do momento, as tais “pautas identitárias”. No esforço de ser politicamente correto, a personalidade — olha a situação aí, de novo — acaba se “embananando” em um ato desnecessário, quando não injustificável.

A solução, contudo, é mais simples do que parece e está na ponta da nossa língua.

No afã de sermos inclusivos esquecemos que termos como “pessoal” e “gente” são ferramentas poderosas de economia linguística e neutras por natureza. São termos coletivos que englobam todos os gêneros sem a necessidade de malabarismos gramaticais. Simples assim.

Sempre procuro iniciar minhas falas desta forma e justifico o porquê:

Pessoal: Como substantivo, refere se ao grupo. Não faz distinção. “O pessoal lá de casa” inclui todo mundo, sem deixar ninguém do lado de fora. No uso informal, como vocativo — “Oi, pessoal, tudo bem?” — ele funciona como um abraço coletivo que abrange homens e mulheres com a mesma naturalidade. Assim, um caloroso “Olá, pessoal!” é uma solução elegante que remove o peso da distinção de gênero sem excluir ninguém.

Gente: Gramaticalmente, é uma palavra feminina (“a gente”), mas sua alma é neutra. Quando dizemos “a gente vai”, estamos designando pessoas de forma genérica, mista e democrática.

Minha consideração sobre isso é simples: a comunicação eficaz busca a conexão, não o ruído. Quando gastamos energia excessiva na forma, muitas vezes perdemos a substância do conteúdo. A língua portuguesa é rica e nos oferece saídas elegantes que evitam o cansaço auditivo sem desrespeitar ninguém.

Usar “pessoal” e “gente” não é apenas uma escolha linguística; é uma escolha pela fluidez. Afinal, a melhor maneira de incluir alguém em uma conversa é garantindo que a mensagem flua sem tropeços, de forma direta, clara e, acima de tudo, humana.

É isso aí, minha gente, vamos nessa que a vitória é nossa!

A Patologia da Intolerância e o Medo do Novo

Na medicina, a intolerância é uma reação exacerbada do sistema imunológico a um agente externo. Na política, — Mato Grosso não foge a esta regra — o fenômeno se dá de forma idêntica. Basta um novo elemento surgir no horizonte, para que o organismo estabelecido do poder acione seus mecanismos de rejeição. Essa reação não se dá no campo das ideias, mas através de um braço específico: a chamada imprensa marronzista, como diria certo personagem novelesco do passado.

Um exemplo pedagógico disso, dessa patologia, pôde ser visto em recente materia sobre a filiação de um empresário mato-grossense bem sucedido ao Partido Novo. Sob o pretexto de “análise”, o texto recorre à velha cartilha da desqualificação: não só rotula agremiações de “nanicas” e afirma que candidaturas majoritárias são apenas “ensaios para valorização” como vai além, ao carimbar projetos independentes como meros “apêndices” de outras siglas. É o jogo político de interesses em sua forma mais nua e crua. Na verdade um tentativa de reduzir uma movimentação legítima à “mesmice” que, ironicamente, o editor parece fingir combater.

Como engenheiro, observo que esse fenômeno é o equivalente político a um erro de drenagem crônico que costuma acontecer em Cuiabá na época das chuvas: a estrutura está saturada, o escoamento de novas ideias é obstruído e o que sobra é a estagnação de águas paradas que alimentam o status quo. O sistema teme a gestão técnica e a independência financeira porque elas são, por natureza, resistentes ao “toma lá, dá cá”. Para veículos que sobrevivem de conveniências oficiais, a renovação não é uma esperança; é uma ameaça a seu modelo de negócio.

Uma contrariedade, que se verifica sistematicamente a cada véspera de eleição, tenta “vacinar” o eleitor contra qualquer alternativa que fuja do controle das oligarquias partidárias. Ao tratar a entrada de um nome do setor empresarial como um movimento previsível ou “mais do mesmo”, a mídia tradicional pode estar tentando esconder o seu próprio pavor: o de perder o monopólio da narrativa e, com isso, o acesso aos cofres públicos que a sustentam.

O surgimento de candidaturas que perturbam o conforto do sistema deve ser celebrado como um sinal de vitalidade democrática. Tentar sufocar essas vozes com adjetivos depreciativos é um desserviço à cidadania. Afinal, Mato Grosso é um estado pujante que não cabe mais no figurino apertado da política de conveniência.

É hora de substituir a intolerância adquirida ao longo do tempo pela tolerância ao debate de ideias que realmente interessem ao futuro de quem vive, trabalha e produz em nossa terra. Uma sociedade que manifesta alergia à renovação está condenada a definhar sob o peso de suas velhas práticas.

De Pau Rodado a Pau Fincado

Cuiabá sempre foi porto de chegada. Durante décadas, o rio trazia o sustento, levava a produção e com isso, os ‘paus rodados’ — gente que vinha de longe, flutuando nas incertezas da sorte. Eu fui um deles, desembarquei aqui ainda menino, com os olhos cheios de espanto diante do calor e da luz desta terra.

Eram outros tempos. A estrada, ainda que precária —uma mistura de terra, cascalho, piçarra e pó —, era longa, uma distância a percorrer para chegar aos centros mais desenvolvidos do país. Entretanto, ela se tornou o melhor caminho para os que para cá se destinavam; sendo acesso garantido a maior parte do tempo e substituiu, com o passar desse tempo, a via fluvial. Foi só a partir da metade dos anos 70 do século passado que o asfalto chegou, trazendo a bem-aventurança e a velocidade ao desenvolvimento da cidade e do Mato Grosso remanescente.

Mas a família, ou melhor, o sobrenome, já rondava estas paragens desde o século anterior. Remonta à Guerra do Paraguai, quando um de nossos antepassados comandou a defesa do Brasil no primeiro ataque ao país, naquela escaramuça que perdurou por quatro longos anos, de 1866 a 1870.

Tudo começou com uma surpresa durante uma visita de rotina do então Coronel Hermenegildo de Albuquerque Portocarrero ao Forte de Coimbra. Subitamente, aquela longínqua fortificação, a mais próxima do Paraguai e alheia ao início do conflito, viu surgir uma flotilha de navios de guerra e mais de três mil soldados inimigos. O comando paraguaio exigiu a capitulação imediata; a única forma, diziam, de preservar a vida de todos.

Mesmo com pouco mais de uma centena de almas, suas famílias e munição de rotina, a resposta dos defensores foi um sonoro “não”. A coragem e a determinação no Forte de Coimbra seguraram o ímpeto da invasão por dias cruciais — tempo suficiente para que os moradores da fortificação e de Corumbá escapassem do massacre iminente.

Voltando ao presente, o tempo — esse mestre das fundações —tratou de transformar o movimento das águas do Rio Cuiabá em margem, em barranco sólido para a atracação das pessoas que, como meus pais, vieram para cá, se encantaram com a cidade, sua gente, e foram bem acolhidos. Por isso fincamos raízes. Foi assim que cheguei.

Desde então, um janeiro de 1962, vivo entre o Porto e a Chapada, entre os livros e os canteiros de obras, conheci minha alma gêmea e vi meus filhos e netos brotarem “cuiabanos de chapa e cruz”. Hoje, não sou mais o que, em meu imaginário, o rio trouxe; sou o que a terra segurou.

Sou “pau fincado” e enraizado. Sou da terra porque aqui me plantei, fui adubado, amado, cresci, amadureci e deitei os frutos que agora colho. Em Cuiabá, floresci na companhia de amigos que, como todo bom cuiabano, sabem cativar os ‘paus rodados’ abrindo o cerne de sua terra para ajuda-los a se plantar. Fui acolhido com o carinho de um dos locais mais férteis na arte do bem receber.

Subdesenvolvimento Voluntário

A diferença entre a liberdade de explorar a capacidade e a capacidade de explorar a liberdade

A frase consiste em uma figura de linguagem, um quiasmo, que, com a inversão da ordem das palavras nas duas expressões, altera seus sentidos e cria um jogo de interpretação. Embora as palavras sejam as mesmas, a inversão muda o foco: a primeira trata do direito de agir, enquanto a segunda trata da habilidade para ser livre.

Anos atrás, os países desenvolvidos do Hemisfério Norte — os ocidentais — perceberam na fragilidade da China e de outros países orientais a oportunidade de explorar mão de obra barata em benefício próprio. Com isso, e sob a justificativa de ajudar nações da região a se desenvolverem, transferiram para lá boa parte de sua capacidade de produção.

De outro lado, os “beneficiados”, percebendo a oportunidade, passaram a usar da exploração de sua capacidade produtiva — ou seja, da mão de obra barata — para também se beneficiarem. Desta feita, fizeram-no através do acesso às tecnologias e ao conhecimento que, consequentemente, acompanhariam o “benefício”, quisessem ou não seus parceiros de ocasião.

No contexto geopolítico, a frase que intitula este artigo explica perfeitamente a transição de potências emergentes e a dinâmica de poder entre o Norte e o Sul Global, aplicada ao exemplo das nações orientais em desenvolvimento acelerado. Assim, o mundo assistiu à liberdade externa e, muitas vezes, predatória de explorar a capacidade de terceiros, verificada no estágio inicial do processo utilizado por países desenvolvidos e grandes corporações. Tal prática foi posta em marcha através da chamada globalização para explorar a capacidade produtiva de populações pobres e numerosas.

Essa dinâmica — a do capital estrangeiro aproveitar a mão de obra barata para maximizar lucros — era, até pouco tempo, reconhecida apenas por sua capacidade bruta de trabalho, onde o país pobre não passava da condição de peça motriz da engrenagem. Isso aconteceu até que aqueles países deixassem de ser meros explorados e desenvolvessem capacidade interna própria, o que foi alcançado através de investimentos em educação, tecnologia, infraestrutura e poderio militar, (caso da China) explorando a liberdade do sistema internacional a seu favor.

Eles aprenderam as regras do jogo da OMC, do registro de patentes e do estabelecimento de rotas comerciais independentes, e passaram a usá-las para projetar sua própria influência. Como resultado, deixaram de ser o “objeto” da liberdade alheia para se tornarem “sujeitos” da própria liberdade; passaram a ter capacidade de investir em outros países, ditar preços e garantir autonomia.

Ao considerarmos que os países dependentes têm sua “capacidade” explorada pela “liberdade” de outros, enquanto países soberanos desenvolvem capacidade suficiente para usar da própria liberdade para competir no mercado global, chegamos à conclusão de que o Brasil é um caso frustrante dessa dualidade geopolítica. Até hoje, o país permanece no “fogo cruzado” dessas duas formas de exploração.

Por muito tempo, e como disse, até hoje, nosso país exerceu a sua liberdade para ser o “celeiro do mundo”. Exportamos capacidade bruta de commodities como soja e minério para fomentar a capacidade tecnológica de países como a China, os EUA e nações europeias. Nesse cenário, somos a “capacidade” que os outros têm a “liberdade” de usar para se desenvolver e crescer.

Temos soberania e liberdade diplomática, leia-se relativa, mas falta-nos capacidade interna e vontade política para investir — como os outros fizeram — em educação de qualidade, infraestrutura e, consequentemente, em industrialização, a ponto de estabelecermos nossas próprias regras. Sem essa capacidade, a nossa “liberdade” no cenário global acaba limitada a escolher para quem vamos vender nossos recursos primários, em vez de competir com produtos de alto valor agregado.

Países que, como o nosso, até meados do século passado eram subdesenvolvidos, fizeram seu dever de casa porque deixaram de executar projetos de governo para realizar projetos de Estado. Enquanto eles planejaram o futuro por 50 anos, nós permanecemos planejando o nosso de quatro em quatro e, pior, a cada mudança de comando, desconsideramos praticamente todos os esforços do antecessor. Tudo em nome da (in)significância político-ideológica do governante de ocasião.

De nada adianta tentarmos uma neutralidade pragmática entre as forças dominantes — EUA e China. Desta última temos nos aproximado cada vez mais por ser nosso maior parceiro comercial; no entanto, se continuarmos focando nossa capacidade somente em lhe fornecer matéria-prima e segurança alimentar em troca de eletrônicos e carros, isso em nada ajudará nosso desenvolvimento. Quanto aos EUA, parceiro histórico tecnológico e armamentista que costuma nos ver como zona de influência, a falta de uma política efetiva de parceria e o distanciamento ideológico hoje em andamento só nos tem prejudicado. Aos dois, o Brasil continua a se submeter de forma errônea, ano após ano.

O grande avanço que precisamos é deixar de ser o país que “oferece capacidade para a liberdade dos outros” e passar a ser o país que “tem capacidade de usar sua liberdade” para projetar poder e riqueza própria. Para ser bem direto: falta “pé no chão”. Falta coragem e vontade política para impor posição usando nossas potencialidades como instrumentos de desenvolvimento, e não oferecendo-as como subproduto para o progresso alheio. Nosso subdesenvolvimento é claramente voluntário, e é a ele que continuamos a nos sujeitar década após década.

O Brasil já possui liberdade, soberania e recursos, mas ainda patina na capacidade de transformá-los em poder real. Precisamos nos espelhar no que já deu certo. Nesses países o desenvolvimento foi fruto de três pilares, a saber:

  • Planejamento de Estado: Planos de longo prazo (cinquenta anos) em vez de casuísmos quadrienais.
  • Educação voltada à tecnologia: Eles pararam de apenas montar produtos alheios e passaram a criá-los. Nós continuamos a exportar o ferro para importar o aço. Para explorar a liberdade do mercado global, precisamos de massa crítica que transforme nossa biodiversidade e minérios em patentes, não apenas em carga de navio.
  • Elites com Mentalidade Nacionalista: Enquanto a elite de outras nações foca na soberania tecnológica, boa parte da nossa elite econômica parece mais confortável sendo herdeira de commodities do que arriscar recursos em industrialização pesada.

Somos um país grande, mas ainda não somos um grande país. De nada adianta ter o carro na garagem se não sabemos dirigir. No jogo de xadrez entre China e EUA, não podemos nos contentar em ser um simples peão. Se não desenvolvermos capacidade técnica própria, continuaremos a ser parte das peças do jogo, em vez de um dos jogadores.

Existe uma ilusão de parceria que mascara nossa relação de dependência. A maioria de nós tem a percepção de que estamos “ganhando” porque os números das exportações sobem, mas raramente questionamos se estamos entregando nosso futuro. De que adianta celebrar recordes em commodities se continuamos importando o fertilizante e a tecnologia para a colheita?

O que de mais importante podemos tirar como conclusão é que manter a população sem capacidade para perceber a necessidade de mudanças estruturantes é a estratégia de quem quer se perpetuar no poder. É muito mais fácil explorar a capacidade de um país quando sua população não entende o valor da liberdade que está perdendo. O “Sistema” operante no mundo desenvolvido não quer que aprendamos a explorar nossa própria liberdade de existir. Para ele, o “Sistema”, isso significaria perder um fornecedor barato e um mercado consumidor garantido.

Opinião (ato e fato)

“Se alguém se sente ofendido pela opinião de outra pessoa, será bom saber que este é um problema emocional, e sentimento é questão individual. Portanto, se o que outra pessoa diz causa perturbação “nesse alguém”, o assunto é exclusivamente dele.”

Não é conveniente externalizar descontentamento sobre um eventual autor, e sim sobre o tema que ele trata. Senão, será você quem estará incomodando, talvez até ofendendo.

Portanto, é importante perceber que, dependendo da forma como nos expressamos, as pessoas podem se sentir ofendidas.

Cabe destacar que os sentimentos são manifestações subjetivas, eles pertencem ao indivíduo que os experimenta, o que enfatiza a necessidade de lidarmos individualmente com nossas próprias reações.

É mais produtivo focar no assunto em discussão e não na pessoa que expressou sua opinião. A reflexão deve ir além, posto que também é conveniente perceber as consequências de não sabermos lidar com nossos próprios sentimentos e reações de forma construtiva.

Faça desta a sua reflexão. Busque não considerar os atos e sim os fatos.

O ato envolve a intenção e a liberdade de fazer uma escolha. Ja o fato envolve a realização, o impacto daquela escolha ou ação. Considere, então, que uma pessoa pode tentar mostrar um fato parecer correto sem, contudo,  haver um ato, ou seja, uma intenção genuína.